
Não são poucos os exemplos de obras que, depois de concluídas, em poucos anos, mostraram-se mal planejadas. Por isso, uma das maiores preocupações que o administrador público deve ter hoje é procurar antever as conseqüências que determinadas iniciativas podem acarretar às gerações futuras.
Se, provavelmente, já não estará aqui para saber o resultado em algumas décadas de sua decisão de hoje, isso não pode servir de consolo ao administrador imprevidente porque o julgamento da posteridade costuma ser implacável. Ninguém de boa formação moral pode aceitar que possa vir a ser visto pelos seus pósteros como exemplo de imprudente, inconseqüente ou perdulário.
Por isso, é de recomendar que as autoridades de todas as esferas de governo – municipal, estadual e federal – envolvidas na discussão dos planos de expansão do porto de Santos tenham muito cuidado nas decisões que lhes caberão no sentido de procurar eliminar os gargalos logísticos que afetam toda a Baixada Santista.
Um levantamento recente feito pelo governo federal e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostrou que a movimentação de cargas no porto de Santos saltará de 80 milhões de toneladas, em 2008, para 230 milhões de toneladas em 2014. Essas estimativas dão conta também que a movimentação de contêineres, que em 2008 somou 2,6 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de
Mas é claro que nada disso será possível se não houver a aplicação de recursos não só em equipamentos como em infraestrutura, principalmente em obras que facilitem o acesso ao porto, hoje cada vez mais estrangulado em determinados trechos. O que depender da iniciativa privada, com a construção de novos terminais, não há dúvida de que a previsão tem todas as possibilidades de se concretizar. Já por parte do poder público os fatos antecedentes não permitem muito otimismo.
Basta ver a lentidão – em conseqüência de freqüentes adiamentos e dilatações de prazos – das obras do Rodoanel e do Ferroanel ou a demora para que sejam iniciados os serviços para dragagem e aprofundamento do canal de navegação do porto de Santos.
Seja como for, para além dos anúncios sempre cercados de um cariz midiático, o que se espera é que o governo do Estado, mais especificamente, elimine vários pontos críticos no sistema viário de acesso ao porto. É o caso do Viaduto 31 de Março, que interliga o bairro do Jardim Casqueiro, em Cubatão, ao sistema Anchieta-Imigrantes, hoje completamente saturado. Para se ter uma ideia da lentidão como o poder público se movimenta, basta lembrar que essa é uma reivindicação que a população de Cubatão e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) fazem há pelo menos duas décadas.
Outra questão que se arrasta há anos é a eliminação do tráfego de ferryboats entre Santos e Guarujá à entrada do canal do estuário. Apesar de muitas discussões, ainda não se definiu o que será feito no local: uma ponte estaiada ou um túnel submerso. Tanto uma como outra obra terá de ser muito bem pensada porque, em alguns anos, se mal projetada, poderá inviabilizar a entrada de grandes navios no canal de navegação.
Se a situação hoje já não é confortável – mesmo com a redução do comércio exterior em função da crise financeira internacional –, imagine-se como estará em
Para atender a essa demanda, há necessidade da construção ou ampliação de rodovias, novos pátios reguladores para caminhões e terminais retroportuários. Como há na Baixada Santista uma visível limitação de áreas disponíveis – até porque grande parte do território ainda não ocupado na área continental é formada por áreas de preservação ambiental –, não há dúvida que a tarefa que aguarda a atual geração de administradores públicos é das mais espinhosas. É claro que ninguém tem o dom de prever o futuro, mas planejamento e prudência podem muito bem evitar problemas.
Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Centro de Logística de Exportação (Celex), de São Paulo-SP.
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